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Os participantes deste estudo reforçaram questões de gênero, como o fato de que ser homem os apoia a cuidar menos da própria saúde. No entanto, por serem idosos com morbidades diagnosticadas, diferentemente de quando eram jovens, enfatizaram a busca, mesmo que irregular, por serviços de cuidados com a saúde, mas acreditam que esse cuidado precisa ser realizado por outra esfera, seja um elemento (exames diagnósticos, medicamentos), família (geralmente mulheres) ou profissionais de cuidados com a saúde. Ou seja, não apontaram ações nas quais podem atuar, como a realização de atividades físicas ou outros hábitos saudáveis. Os participantes caracterizaram-se, por serem homens, como “descansados, desleixados ou distraídos” e que priorizavam a diversão em detrimento dos cuidados com a saúde. Novamente, o discurso subliminar desses participantes aponta o quanto precisam ser lembrados e cuidados pelo “outro”, revigorando a questão de gênero. Ou seja, significa que eles não se veem como protagonistas do próprio cuidado e, portanto, não dão o devido valor a ações que poderiam contribuir para esse objetivo, como, por exemplo, diminuir a ingestão de sal e calorias na dieta.
Mesmo quando descreveram mudanças de comportamento ao longo dos anos, ou seja, de atendentes não pertencentes aos serviços de cuidados com a saúde se tornarem presentes nas consultas com os profissionais da UBS, revelaram a ideia de que essas ações pontuais são suficientes para cuidar da própria saúde. Esse movimento remete à cultura de que o homem precisa ser cuidado (20) e não se cuidavam. Dessa forma, os entrevistados desta pesquisa apontaram o acesso à tríade (medicamentos, exames, profissionais) como sinônimo de cuidados com a saúde. Entretanto, essa tríade apontada como foco para o cuidado de si pode ser alvo de interrupções, causadas pela paralisação das atividades dos profissionais, problemas com o fornecimento de medicamentos ou de insumos para realização de exames, defeitos em equipamentos. Esses eventos podem gerar descontentamento, uma vez que depositaram na tríade a solução de seus problemas de cuidados com a saúde, ou mesmo a maneira de evitar doenças. Embora os idosos não dessem o devido valor ao exame clínico, buscavam consultar profissionais quando sentiam desconfortos que não eram resolvidos com receitas caseiras. Em suas opiniões, apontaram aspectos negativos da CP para a compra de medicamentos para condição crônica (anti-hipertensivos, por exemplo).
Dr Stéfano Fiúza – Cirurgião de Cabeça e Pescoço
Visc. de Pirajá, 303 – 9º Andar – Ipanema, Rio de Janeiro – RJ, 22410-001
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